• José Tavares

O partido de Estado e o partido único


Os partidos de Estado, à direita ou à esquerda, evoluíram normalmente para partidos Únicos, porventura, ditaduras de direita ou de esquerda. A sociedade portuguesa está cada vez mais envelhecida e dependente do Estado através do aumento de funcionários públicos pela mão de maiorias absolutas de um só partido ou de mais de um partido com geringonças ou sem geringonças, de reformas e de subsídios que totalizam muitos milhões de portugueses com a agravante de uma comunicação em que os grandes órgãos sociais manifestam uma forte inclinação para o lado dos que detêm o poder. O resultado é uma sociedade subserviente, anestesiada, satisfeita com o poucochinho que tem e não quer que esse poucochinho eventualmente se perca com alterações de poder. Aos meus olhos, o PS de Costa percebeu isso e parece explorar esse filão para se manter no poder. A campanha das últimas eleições ainda bem fresca foi uma boa prova disso. Pelo que o PS corre o risco de vir a transformar-se num Partido de Estado cujas sintomas apontam nessa direção e converter-se num partido Único embora com algumas reações de uma esquerda e de uma direita mais extremistas. O PSD, no estado em que se encontra mostrou ser um PS2 sem espaço político. Não sei se o Presidente Marcelo terá força para contrariar essa tentação. Também pode acontecer que o povo instigado pelas oposições à esquerda e a direita mais ativas acorde e então o PS poderá dar um enorme trambolhão como em França, por exemplo. Por isso, a situação criada pelo resultado das passadas eleições de 30/01/2022 traz no bojo infelizmente um enorme risco que não poderá ser menosprezado e muito menos esquecido. Gostaria de enganar-me, neste meu pressentimento, mas receio bem que isso não aconteça.

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